sábado, 10 de março de 2012

A Literatura Maldita no Brasil (Linha de Pesquisa de Fábio Casemiro)

Programa da linha de Pesquisa
A Literatura Maldita no Brasil
Prof. Ms. Fábio Martinelli Casemiro

            O que é o Mal? Para quem é o Mal? Quando é o Mal (e o que se fazer com ele)?
            Estas são algumas das perguntas que motivam esta linha de pesquisa.
            Como fonte, como lugar de pesquisa, seleciona-se, aqui, a literatura e busca-se compreender como ela parte do real e como ela inscreve o e no real. Como literatura e realidade se fecundam mutuamente.
            Por isso esta é uma linha de pesquisa da História da Literatura e, assim, ela é aberta a todo o pesquisador que por ela se interesse, mas atenta-se especialmente ao pesquisador dos Estudos Literários, da História da Arte e da História Brasileira. Se levarmos em conta que os Estudos Literários podem abordar os textos em suas dimensões sincrônicas e diacrônicas, então o estudo da literatura é também um estudo de “natureza” historiográfica. Se o Historiador possa se interessar pelas manifestações artísticas literárias porque elas carregam, elas são a vida, os costumes, as mentalidades de homens e mulheres em sua época, então o estudo da história necessita (para a compreensão da época sobre a qual se debruça) da investigação do literário (se sempre não nos esquecermos que estética e ética são faces de um humano mesmo).

            Assim, esta linha quer entender (como quem liberta) o mal. Não se trata de acreditar que o demônio seja ou não feio como se pinta, mas de buscar compreender que o demônio é o que se pinta do demônio, já que o demônio só pode existir à medida que é inventado e representado (e para nós aqui, ele assim se manifesta em suas realidades literárias e históricas).

            Curiosamente é a um professor que o demônio Mefistófeles aparece. Fausto já era um professor de renome (e prestes a dar cabo de sua existência). O demônio está para Fausto como sopro de vida: a aposta de Fausto é na vida, no conhecimento, na capacidade de poder realizar seu conhecimento. O demônio é antes de tudo um pedagogo.

            Quando trágico, o demônio, o mal, o horror ele se apresenta para que o leitor possa aprender com ele... Para que possa crescer espiritualmente pela catarse. Fundindo enunciados de Candido e Nietzsche: Nesta nossa Educação pela Noite, o Que não mata fortalece.

            O Daimon, palavra grega que evoluiu para “demônio”, não era nem bom nem mal, mas era uma força, uma presença ou uma entidade que tomava os seres humanos (como os gênios). O estudo da poesia maldita (nome cravado na história pelo poeta Verlaine) é antes de tudo o encontro com aquilo que as sociedades tomam por oracular, como revelador de seus recônditos mais verdadeiros.
           

            O que poderia ser mais interessante para historiadores das mentalidades e críticos da literatura?


Bibliografia


*Antonio Candido. FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA.
*Antonio Candido. O ESTUDO ANALÍTICO DO POEMA
*Antonio Candido. NA SALA DE AULA
*Antonio Candido. A EDUCAÇÃO PELA NOITE, E OUTROS ENSAIOS. 
Antonio Candido. O DISCURSO E A CIDADE 
Antonio Candido. O ALBATROZ EO CHINÊS
*Antonio Candido. LITERATURA E SOCIEDADE
*Nicolau Sevcenko. A LITERATURA COMO MISSÃO
Nicolau Sevcenko. ORFEU ESTÁTICO NA METRÓPOLE
Segismuindo Spina (org.) HISTÓRIA DA LÍNGUA PORTUGUESA
*Mario Praz. A CARNE, A MORTE E O DIABO NA LITERATURA ROMÂNTICA
Artistóteles, Horácio, Longino. A POÉTICA CLÁSSICA
*Ezra Pound. ABC DA LITERATURA
*Virgínia Camilotti. JOÃO DO RIO: IDÉIAS SEM LUGAR
*Marcos Siscar. POESIA E CRISE.
Michel Deguy. REABERTURA APÓS OBRAS
Nietzsche. Obras Completas. Destaques para: O NASCIMENTO DA TRAGÉDIA\\ GAIA CIÊNCIA \\ ASSIM FALOU ZARATUSTRA
*Modris Eksteins. A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA
* Carlo Ginzburg. HISTÓRIA NOTURNA
Wolf Lepenies. AS TRÊS CULTURAS
Roberto Machado. O NASCIMENTO DO TRÁGICO
Peter Szondi. ENSAIO SOBRE O TRÁGICO
Willi Bolle. FISIOGNOMIA DA METRÓPOLE MODERNA
Clément Rosset. LÓGICA DO PIOR.
Clément Rosset. O REAL E SEU DUPLO.
*Antoine de Compagnon. O DEMÔNIO DA TEORIA
Alexei Bueno (Org). ANTOLOGIA DA POESIA PORNOGRÁFICA, DE GREGÓRIO DE MATOS À GLAUCO MATOSO
*Luiz Costa Lima. TEORIA DA LITERATURA EM SUAS FONTES. (2vols).
Antonio Arnoni Prado. TRINCHEIRA, PALCO E LETRAS.
*A. Alvarez. O DEUS SELVAGEM: UM ESTUDO DO SUICÍDIO
Glória Carneiro do Amaral. ACLIMATANDO BAUDELAIRE
*Anna Balakian. O SIMBOLISMO
*Jacó Guinsburg. O ROMANTISMO
Jacó Guinsburg. O EXPRESSIONISMO
Wolfgang Kaiser. O GROTESCO


Autores que me interesso:

Todos os poetas do romantismo, do "realismo" e simbolismo brasileiro e outros estilos até às vésperas da primeira guerra mundial.
Com destaque para:

-------------------------Poesia------------------------------
Séc. XIX
Álvares de Azevedo, Castro Alves, Bernardo Guimarães, Fagundes Varela, Junqueira Freire, Casimiro de Abreu, Luís Gama, Laurindo Rabelo, Juvenal Galeano, Fontoura Xavier, Teófilo Dias, Carvalho Jr, Raul Pompéia (tem poemas!), Alphonsus Guimarães, Souzândrade, Pedro Kilkerry, Bernardino Lopes, Emiliano Perneta, Alceu Walmosy, Eduardo Guimarães, Maranhão Sobrinho, Da Costa e Silva.
Augusto dos Anjos
Euclides da Cunha (tem poesia!)

*Séc. XX (apesar de serem contemporâneos)
Ferreira Gullar,  Nauro Machado,  Roberto Piva, Glauco Matoso, Manuel de Barros e Hilda Hilst.

Os sublinhados de amarelo são os textos básicos, ou os de maior interesse para minha linha de trabalho.


Um comentário:

  1. Prof. Ms. Fábio
    Belo texto. Sinto-me completamente atraido pelo tema.
    Fiz minha monografia, no curso de Letras, estudando o 'mal, 'o maldito' e elegi a obra "noite na taverna', de Álvares, como objeto de estudo.
    Analisei o simbolismo de Satã no Romantismo, como um heroi rebelde, e toda a binomia que é caracteristica propria não só de Azevedo, como do Romantismo como um todo. Utilizei dentre o arsenal teorico M. Maffezoli, Bataille, Cândido.

    Abraços e parabéns pelo seu estudo.
    É um tema fascinantes, que nos ajuda a nos entender melhor, essa nossa parte 'sombria', que não pode ser renegada, nem tão pouco reprimida, mas sim entendida e abraçada, até para ser transmutada, ou dominada.

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